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Financialweb News
| Saneamento Cadastral |
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Acompanhe na íntegra matéria publicada no Portal Exame sobre a maratona que as empresas estão enfrentando para se adaptar ao SPED. O texto grifado refere-se à importância do Saneamento Cadastral ou "faxina cadastral" como sugere a jornalista Roberta Paduan.
Milhares de empresas brasileiras - como a metalúrgica Termomecânica - enfrentam uma verdadeira maratona para se adaptar ao Sped, o novo sistema eletrônico da Receita
Outra fonte de trabalho dentro da Termomecânica foi o mapeamento das novas informações exigidas pelo Sped. Ele aumenta - e muito - o número de informações exigidas das empresas. Um levantamento da auditoria e consultoria Ernst & Young mostra que o conjunto de documentos e toda sorte de declarações fiscais e contábeis exigidos dos contribuintes somavam, em média, 350 tipos de informação. Com o Sped, esse número sobe para 1 300. Na Termomecânica, ele chegou a 1 545. São informações sobre tudo o que a empresa compra, vende, de quem compra, para quem vende, quanto recebe, quanto paga, o que guarda em estoque e quanto paga de impostos. Para chegar a esse número, a equipe responsável pelo trabalho teve de estudar 199 registros - espécies de formulários eletrônicos que a Termomecânica é obrigada a enviar ao Sped. Esse trabalho de formiguinha é fundamental porque o Sped opera com formulários eletrônicos padronizados e, portanto, não aceita nada fora do lugar nem campos em branco. No caso do preenchimento do endereço de um cliente, o sistema não aceita nem mesmo que o nome da rua e o número do imóvel sejam preenchidos no mesmo campo. Tudo tem de estar exatamente no espaço correto. Só o arquivo com as informações contábeis de um ano de operação da Termomecânica terá 7 milhões de linhas preenchidas - e nada pode sair errado. Esse tipo de exigência, aparentemente absurda, visa eliminar erros que acabam gerando fiscalizações futuras e, portanto, trabalho para os fiscais da Receita e também para os funcionários das empresas.
Para completar, a empresa é responsável não apenas por suas informações mas também pelas de seus parceiros, tendo de enviar mensalmente ao Fisco um relatório com todas as alterações de nome e endereço de seus clientes e fornecedores. Não foi à toa que a primeira etapa do projeto se transformou em uma verdadeira faxina cadastral. A Termomecância teve de revisar minuciosamente as informações de todos os 5 000 clientes e fornecedores com os quais negocia. Essas informações são cruciais para que a empresa consiga emitir a nota fiscal eletrônica e, assim, possa operar normalmente. Antes de autorizar a nota online, o Sped captura as informações sobre o produto, seu preço e quem irá comprá-lo. Eis o principal objetivo do sistema: aumentar, ao máximo, o repertório de informações a respeito dos contribuintes e, consequentemente, reduzir a sonegação. A redução da informalidade é a grande expectativa das empresas que apoiam a iniciativa da Receita. "O Sped permite que possamos armazenar e cruzar as informações prestadas por empresas que negociam entre si. Vai ficar mais difícil burlar a lei", afirma Carlos Sussumu Oda, supervisor-geral do Sped na Receita Federal. É essa a expectativa da equipe da Termomecânica. "Mas a redução na informalidade só virá quando um grande número de empresas for obrigado a utilizá-lo", afirma Alcir de Paulo Ambrosio, gerente de informática da empresa e responsável pela adequação dos sistemas da companhia ao Sped. A Termomecânica e suas concorrentes começarão a emitir notas fiscais eletrônicas em setembro - a metalúrgica emite cerca de 72 000 notas ao ano. Boa parte da matéria-prima utilizada pela empresa - que fabrica, entre outros produtos, tubos de cobre e laminados de cobre, bronze e latão - é sucata, obtida de empresas de um segmento altamente informal no país. Alguns setores tiveram de se adaptar ao Sped há mais tempo e já colhem resultados positivos no combate à informalidade. É o caso dos distribuidores de medicamentos, que começaram a emitir notas fiscais eletrônicas em 2008. O crescimento de 20% do faturamento das grandes redes de farmácias em 2008 - ante à média de 12% do varejo do setor - é atribuído em larga medida à nota fiscal eletrônica. "O sistema já está beneficiando as empresas sérias e penalizando quem descumpre as leis", afirma José Roberto Fagundes, diretor financeiro da rede Drogaria São Paulo. "Muitos pequenos comerciantes passaram a pagar imposto ao saber que podem ser pegos pelo Fisco por causa das informações prestadas pelos atacadistas e distribuidores", diz Sérgio Mena Barreto, presidente da Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias. "Com isso, eles perderam a vantagem do preço baixo." Se um resultado semelhante for observado nos demais setores que estão agora aderindo ao Sped, a maratona para se adequar ao novo sistema poderá, ao fim, ter valido a pena. Por Roberta Paduan | 14.05.2009 Revista EXAME |













